"Se não é pela arte, pra que a alma pesando o corpo?" - Caio Soh

sábado, 3 de dezembro de 2011

Bohemian Rhapsody


Se eu pudesse desestruturar o mundo e ter você pra mim...
Mas você é inalcansável.
Doce e eterno inalcansável você.
E as dores continuam...
Indubitáveis, intermináveis, estáveis.
Ter você, seria como mergulhar no mar, e por um segundo
[ouvir o próprio coração bater forte, duradouro.
A sua presença ausente não preenche o buraco fundo que você,
[desavisado, esqueceu de tampar no meu coração.
Mas eu não posso nada disso.
Eu não existo em nada disso,
e para ser bem sincera comigo mesma,
nem mesmo você existe nisso.
Você foi e será apenas um sonho da vida,
que ela mesma tratará de apagar...
Apenas quando for necessário.
"Carry on, carry on, like nothing really matters"


Créditos: Foto tirada por Isadora Relvas - http://vestindoodelirio.blogspot.com/

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Abraços Partidos

Deixa-se os braços abertos e espera-se que seja suficiente
Mas nunca é. Nunca será suficiente.
Fecho meus olhos e espero que meu corpo o sinta.
Minha pele nua espera...
Não se sabe o que. É a espera incessante.
Angústia, angustiante.
O desejo e o prazer se encontram, mas não faz parte de mim.
Me debruço e me debato em angústia.
Meu corpo mutilado se reflete no espelho escuro.
As sombras engolem meu ser, bebem meu corpo no gargalo seco.
Não tenho mais para dar, já acabei-me em mim.
Doar-se é como permanecer com os braços abertos
É aquela espera incessante.
É padecer em corpo sem alma nem coração,
Para se viver em corpos alheios.
São mortes e vidas dentro de uma mesma vida.
Morrer em mim aquilo que desgosto.
Para recriar-me cada vez mais paixão e espera.
Incessantemente...

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Pedaços, retalhos, recortes e afins

E se eu não quisesse me apaixonar?
E se eu não quisesse me partir em dois cada vez que te vejo?
E se me partir em dois fizesse parte da minha natureza?
Me quebrar e me partir e me dividir em dois...
cada vez que abro os olhos pela manhã.
Deixar um pedaço de mim cada vez que me movesse
uma impressão da minha vida, uma impressão minha em cada ambiente.
E se o seu trabalho fosse juntar os pedaços,
atar os cacos, colar-me em ti...
Colar-me em mim, e descobrir-me aos poucos.
Para enfim descobrir-me inteira algum dia.
Não é disso que a vida é feita?
De deixar-se a cada momento para trás
e descobrir pedaços de outros...
Até que enfim os pedaços se juntem em um único indivíduo
Junto de vários outros,
onde dois pedaços metamórficos e retalhados se juntem
Em apenas um pedaço. Pedaço inteiro. Dois que são um.
Juntos.
A história da vida.

sábado, 20 de agosto de 2011

Raiva

Me perco nas entranhas de mim mesma. É assim que devia ser?
Uma raiva desconhecida me consome e eu nem ao menos sei do que se trata.
Preciso colocar a mão fundo, dentro daquilo que me come por dentro, e arrancá-lo sem demora e sem promessa. Sem a esperança de que se esvaia no com-sentimento mútuo da saudade.
Se o sangue sair e as entranhas se contorcerem no processo, prometo que não conto aquele segredo nosso guardado à sete chaves.
A raiva é guardada por 100% das pessoas que possuem nervos, estômagos, dores e plantas do pé.
A escrita compulsória que me consome e me tange como um mar a céu aberto, é apenas uma extensão do meu corpo insólito que de branco se veste quando sente você se aproximar.
É caça caída na escuridão da noite esperando o abate do dia consecutivo.
A raiva roendo as veias, como uma urticária alcoólica se mostra voraz e veloz assim que se abrem os primeiros momentos alvos.
Me batem ruidosas as ondas daquele mar insípido. Despejam o óleo verossímil em minha pele que arde ao simples toque. Não sou verossímil, sou lembrança. Sou desejo, sou ardência, sou raiva, sou vermelho. Doce, quente, tenro e vermelho.
Essa cor que me pinta as maças do rosto e me enche de angústia, que me acelera o peito, líquido e corrente, assim que se escancaram as primeiras portas de meu ser.
A lâmina prateada e fria que corta você em mim, que corta ansiedade incessante pela morte.
Anseio na noite quente e úmida para que o dia cegante chegue e me tire da incerteza.
E ele sempre chega. Indubitavelmente imperceptível.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Prateleiras II

Vejo tudo como um filme mal-feito e velho
Daqueles em que se sente frio na sala porque se
[percebe que a sala está vazia.
Os tons de sépia passam desavisados por meus olhos.
As vezes vejo você, mas rapidamente passa.
Você não me viu, estava com outra pessoa.
Eu não tenho você.
Me refugio nas tramas de minha prateleira.
Amo, odeio, adoro, rio, choro.
Você não está em nenhum desses sentimentos.
Você não quer estar...

Prateleiras

Lembrei de você num filme na minha prateleira.
Revirei as revistas atrás de imagens que me trouxessem a sua memória.
Não pude te encontrar...
Você não estava lá, nunca esteve.
Você nunca foi parte de mim.
O desespero bateu irreconhecível e sufocante.
Incessantemente voltei a te procurar dentro de mim.
Cadê você?
Cadê você que não está aqui?
Procuro em vão aquela saudade que eu sentia ontem.
Era você. Apenas uma saudade.
Saudade daquelas que eu sonhei mas nunca tive.
Você se foi pela manhã, me deixando com vontade de voltar a dormir,
Para sempre.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Brincadeira de Criança

Já tinha escrito esse texto há muito tempo, desde o meio de março acho, mas me esqueci de postar aqui.


"Essa semana me deparei com algumas coisas que não vejo há muito tempo.

É engraçado que só sentimos como o tempo pasou quando nos deparamos com coisas do nosso passado. Embra eu lute todo dia para que o mundo não mate a criança em mim, eu vejo a cada dia mais que isso é difícil. Não vou desistir. Até porque são coisas como as que eu vi essa semana que me dão esperança no futuro.

Comecei a ser monitora no colégio que eu costumava estudar. Como só começava à uma e eu havia chegado cedo, sentei-me no pátio do colégio, escutando meu Nerdcast e observando as crianças que brincavam.

Os próximos 30 minutos após esse meu ato me deparei com uma coisa incrível: vi dois meninos de seus 7 ou 8 anos brincando de amarelinha (jogo em que se pula números de um em um com o intuito de chegar ao "céu"). Claro que as regras do jogo já não eram mais as mesmas, nada resiste impassível ao tempo, mas resistiu a inocência, a simplicidade de pegar sua pedrinha e pular sobre marcas no chão.

Depois de algum tempo surgiram mais crianças, como não para a minha surpresa, inclusive mais velhos e mais novos do que os dois meninos. Incrível, parecia que por um momento eu havia voltado como um baque agradável à minha infância. Não durou muito. Triste.

E como outra agradável surpresa, no dia seguinte, no ônibus lotado, em pé, ouvindo Papo de Gordo, olhei para o lado em meio ao engarrafamento e vi uma garota de uns 12 anos sentada bem próxima à mim, indo contrariamente à tendência completa dos adolescentes da idade dela hoej em dia, com um CD recém comprado nas mãos. Achei que, tirando eu, alguns conhecidos, e algumas pessoas com mais idade que compramos CDs, ninguém mais, ainda mais na idade dela, comprava CDs, surpresa de novo. Voltei para casa pensando nas coisas boas da minha infância.

No dia seguinte baixei o novo episódio do Nerdcast, para minha surpresa sobre Tokusatsu, não esperava que duas semanas depois viria o de anime, para arrebatar a minha semana nostalgica, que quase se transformou em mês.

Lembrar de forma tão doce e tão inesperada, de coisas que eu achei que já tinham ido embora há muito foi maravilhoso.

Agradeço aos Nerdcasters, ao pessoal do PdG, à menina do ônibus, e à todas aquelas crianças do colégio por compartilharem essa lembrança comigo, mesmo sem saber. Obrigada."

Podcasts citados no texto:

Papo de Gordo: http://www.papodegordo.com.br

Nerdcast: http://www.jovemnerd.com/