"Se não é pela arte, pra que a alma pesando o corpo?" - Caio Soh
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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Cariocas

Poesia escrita para a matéria Teoria da Percepção do curso de cinema da UFF. O título que deveríamos usar para o trabalho era: "A Cidade sou eu". Funciona melhor se lida ao mesmo tempo em que se escuta Cariocas da Adriana Calcanhoto

Fecham-se em suas casas os cariocas
Fogem e escondem-se de si mesmos.
Atrás de muros, grades e câmeras.
Vigiam atentamente os cariocas,
cada rua esquina ou beco.
É sensato que nos tranquemos enquanto a violência anda solta por aí?
Temos, ao que parece, o dever de nos proteger,
e a violência, o direito de existir impune.
Esquecem-se de suas praias os cariocas.
Olham atentamente atráves das grades as ondas libertas do mar.
Ah, como eu queria ser mar...
Mas isso não pode carioca.
Seu destino é ser prisão.

Fica na cabeça então a dúvida:
O que é ser carioca?
Ou melhor, o que é ser cidadão?

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Belém

Lá vem a santa pelas ruas largas de Bélem.
Fé e suor na procissão.
E como é preciso ter fé,
segurar na corda como se fosse a mão da própria santa.
Casinhas, barquinhos, povo.
A vida em Miriti.
O corpo parece mais leve depois da passagem da santa.
Como se fôssemos feitos de miriti.
A tradição, raiz, o coração do país.
Tucupi, tipiti, açaí, miriti, buriti.
Tacaca, taperebá, vatapá.
Caruru e cupuaçú.
"Vamos ali ver-o-peso"
Outro mundo dentro do mundo.
Outro eu dentro de mim mesma.
A vida me leva como a corda da santa,
minha vida se esbarra com as vidas alheias, as mãos que seguram a corda.
E preciso ter fé.
Lá vai a santa pelas ruas largas de Belém.
Puxando a eterna procissão da vida.

domingo, 17 de outubro de 2010

Brasília + Poesia sem nome nº06

Respirei Ares de Brasília.
Pisei em solo brasiliense.
Me senti um pouco mais brasileira.
Meu coração se encheu de árido e concreto.
Brasília,
suas luzes,
suas ruas, retas, paralelas, congruentes,
cortam teu seio como fios de alta tensão por onde corre o sangue brasileiro,
por onde fluem calmamente os ares secos e ríspidos de você.
Estar em Brasília não é como estar em nenhum outro lugar no mundo.
É sentir-se pequeno diante da maestria do arquiteto,
que rege vigas como quem rege sóis e lás e rés.
O arquiteto que abrigou o coração do país, construiu suas veias.
Essas veias em formato de avião.
Fazem sonhar o futuro, alçar novos vôos sob teu céu azulado.
Ah, Brasília, centro do Brasil.
Coração Brasileiro.
Luzes públicas que corrompem a escuridão da noite brasiliense.
Nosso avião sobrevoa calmamente seus satélites.
E com o silêncio tão inerente a partida.
Me despeço de teu solo, oh, mãe gentil,
Brasília.