"Se não é pela arte, pra que a alma pesando o corpo?" - Caio Soh
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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Poesia sem nome nº 09


Estar aqui é como estar fora de lugar.
Sem estar realmente aqui.
Sem ser realmente alguém.
Sem ter alguém aqui.
Viajar dentro de mim mesma e descobrir que não sou mais do que aquilo que já havia dentro de mim.
Ou que eu não era aquilo que achava.
Que sou mais do que realmente acredito que sou.
Ou que não sou ninguém.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Poesia sem nome nº 08


Vi você numa terça
Te amei numa quarta
Na quinta estava cheia de você
Na sexta dei um tempo
No sábado nos casamos
No domingo passeamos na vida
Na segunda... ah...
Na segunda,
Preferi esquecer você porque meu sonho já durava quase uma semana.
Será que algum dia vou te ver de novo?
Será que o destino nos pregará essa peça?
Quero estar com você,
Na terça pra te amar,
Na quarta pra te odiar,
Na quinta só pra ter você.
E assim ter você o resto da semana.
Quem sabe da vida?

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Poesia sem nome nº 03


Escrever é juntar palavras e vírgulas e pontos.
Numa seqüência lógica.
Escrever é desapegar-se...
De si mesmo.
Esquecer-se que existe e colocar-se no papel.
Esvaziar-se.
Escrever é como poder tudo, a qualquer hora.
Escrever é ser livre para buscar o infinito todo dia, e voltar a tempo de entrar em si mesmo [como é necessário todo dia fazer.
É fechar os olhos e imaginar palavras.
É conseguir expressar aquilo que te atormenta ou que te eleva.
É deixar-se para trás e buscar-se mais à frente.
É como contrariar o inevitável.
E ser vilão e herói.
E amar e odiar.
Escrever é retratar a vida. A sua ou a do outro.
Quero poder me transmutar em palavras diariamente. Quero escrever-me.
Quero que me leiam todo dia.
Quero ser verso, refrão, poesia.

domingo, 17 de outubro de 2010

Brasília + Poesia sem nome nº06

Respirei Ares de Brasília.
Pisei em solo brasiliense.
Me senti um pouco mais brasileira.
Meu coração se encheu de árido e concreto.
Brasília,
suas luzes,
suas ruas, retas, paralelas, congruentes,
cortam teu seio como fios de alta tensão por onde corre o sangue brasileiro,
por onde fluem calmamente os ares secos e ríspidos de você.
Estar em Brasília não é como estar em nenhum outro lugar no mundo.
É sentir-se pequeno diante da maestria do arquiteto,
que rege vigas como quem rege sóis e lás e rés.
O arquiteto que abrigou o coração do país, construiu suas veias.
Essas veias em formato de avião.
Fazem sonhar o futuro, alçar novos vôos sob teu céu azulado.
Ah, Brasília, centro do Brasil.
Coração Brasileiro.
Luzes públicas que corrompem a escuridão da noite brasiliense.
Nosso avião sobrevoa calmamente seus satélites.
E com o silêncio tão inerente a partida.
Me despeço de teu solo, oh, mãe gentil,
Brasília.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Poesia sem nome nº 04


Como escalar esse muro?
Como transpor o intransponível muro que nos separa?
Realidades tão diferentes...
Mundos tão opostos...
Almas tão iguais.
Somos como fragmentos de um mesmo todo.
Somos parte e todo ao mesmo tempo.
Como impedir que a realidade continue construindo tijolos?
Como impedir que a vida construa seus próprios muros em cima de nossos sonhos?
Preciso escalar.
Mas algo me detém.
Parada, estática, imóvel.
O chão segura meus pés.
O vento segura meus cabelos.
E essa chuva que não quer cessar.
Olho para o céu.
Não é chuva, são meus olhos que insistem em derreter.
Minha alma se esvazia.
E ninguém assiste ao espetáculo da vida que acontece alheio.
E o muro cresce.
Aonde está você? Pode me ouvir aí do outro lado?
Me apaixonei por você.
Olho pra você.
Estático, parado, imóvel.
O vento mais forte leva também minhas palavras.
Imóveis, estáticas, paradas.
Toma posse de minhas idéias.
Ouço um canto surgir em meu peito.
O muro então se desfaz dentro de mim.
E a chuva cai molhando toda a minha existência.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Poesia sem nome nº 01


Eu amo.
E amo do tamanho que quero.
Amo quem quero, como quero, porque quero, porque amo.
Amo o feio e o bonito, amo um, dois, três.
Amo ser.
Amo e cresço amando.
Tenho essa necessidade inerente de amar.
De amar como se fosse a última coisa que eu fosse fazer,
No dia ou na vida. Não importa.
Tenho essa vontade de amar com gosto,
Com cheiro, com gesto.
De andar descalça.
De deitar no colo.
E essa vontade louca de me apaixonar.
E ser peixe, bolha, vento.
E ser brisa.
E beijar rostos alheios.
E ter nos lábios a ternura da vida.
E ter o tempo nas mãos.
Quero amar sem ter que ter.
E ter que ser o amor que transbordo.
Quero ser amor...
Todo dia, toda hora, todo momento.
Para sempre.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Poesia sem nome nº 02


Essa manhã acordei criança.
Brinquei como criança nos ladrilhos da calçada.
E como criança decidi meus lados.
Brancos e Pretos.
E vi o adulto dentro de mim observar a criança.
Atravessar a linha seria escolher um lado.
E a insegurança do adulto segurou a criança.
Era tão mais fácil escolher lados quando a criança comandava.
O adulto se contenta calmamente em pisar na linha.
Manter-se impávido, indeciso, imparcial.
Pisar na linha, observar os lados.
Ficar ali era como poder voltar.
Ou ir. Independente.
A não-decisão.
A criança dentro de mim não entendia o adulto.
“Não pode pisar na linha, tia”
A grande indecisão da vida.
Simples.
Olhar novamente com olhar de criança.