"Se não é pela arte, pra que a alma pesando o corpo?" - Caio Soh
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terça-feira, 19 de novembro de 2013

Desembaralho

Ela me avisa que vai falar sobre a visão
Sobre a análise da juventude e o amadurecimento
Foi ela ainda não
É isso Thaís, sem problemas, mas
Como se você fosse estar tão feliz
Pelo menos suspeitar! Por que? Você é, é. 
Descobri meu cartaz e minha realidade 
É o Portão de Ícaro
Quando você diz por mim 
Que é o nosso destino no decote dela
Eu não vi essa, não parei para pensar nisso.
Eu não fiz, e acho que não
Tava falando com as tão tortuosas linhas da vida
Vou tentar essa
Pra quem não acredita
Não deixe seus sextos sentidos
Não deixe seus ouvidos sangrarem...
Isso é que é.
Se eu gostei?
Não consigo gostar,
Um frio bizarro.


*Feito com o What would I say?

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Faz frio

Viro os olhos enquanto durmo.
Não estou em casa.
Alguma vez estive?
Não sei o que é casa.
A casa está dentro de nós mesmo ou do outro?
Queria viver nos corações alheios.
Nas casas alheias.
Queria novamente a sensação do conforto.
Não a tenho.
Procuro em vão, e bato em outras portas.
Só uma me interessa.
Essa que está sempre fechada.
Tento uma, duas, três vezes.
As paredes se fecham contra mim,
Me sufocam.
É impossível viver em mim.
Alguém está por aí?
Quero um coração, quero um lar.
Quero uma mão e um abraço que me procurem durante a noite.
Enquanto isso estou aqui,
vivendo do lado de fora do meu próprio lar.
Meu próprio coração,
e como é frio...

terça-feira, 30 de julho de 2013

A arte de caminhar

Caminha,
que caminhando tudo muda.
Tentei caminhar por terras que não me pertenciam,
Tudo mudou.
Tudo se muda muito mais do que se espera.
E na verdade nada muda.
É tudo o mesmo, como sempre foi.
O medo é o mesmo, o caminhar é lento.
O pisar é cuidadoso.
Creio que ainda não aprendi a pisar,
Sempre algo dá errado.
O caminhar é tortuoso e as vezes me sinto voltando ao mesmo lugar.
Tudo tem as mesmas cores,
o mesmo gosto amargo na boca.
E ao mesmo tempo tão distinto que não saberia explicar.
O caminhar me esgota, me engole, me afoga.
Mas não é esta a graça de caminhar?
Dar-se  contra paredes invisíveis,
estar frente a frente com aquilo que não se pode ver.
Caminhar é cair, e cair, e cair,
E as vezes levantar,
e perceber que de verdade nunca começamos a caminhar.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Terra Estrangeira

Nunca o sentido de viver fez tanto sentido pra mim. Estar em outro país, falar outra língua, trabalhar para poder morar em algum lugar, isso é de fato muito diferente do que eu fazia no Brasil.

Os brasileiros sempre comentam como os Argentinos são tão diferentes de nós, mas a verdade é que somos tão parecidos que nem nos damos conta.

Claro, há pequenas diferenças, caso contrário estaríamos em um só país, mas de verdade, é quase tudo o mesmo: as mesmas ruas, os mesmos metrôs, os mesmos trens, as mesmas pessoas legais, metidas, enfadonhas, enojantes, inteligentes e solidárias que conhecemos tão bem. Os estereótipos estão por todo lugar.

Nunca foram tão verdadeiros todos os dizerem sobre os seres humanos serem todos iguais. Nós somos todos iguais.

É uma terra estrangeira, mas, talvez pela presença constante dos meus amigos pela internet, eu tenho a sensação de nunca ter saído de casa. É realmente impressionante quando um país pode te fazer sentir em casa.

Não que eu não me sinta estranha, estrangeira, quando eu vou à uma aula e todos lá falam tão diferente daquilo com o qual estou acostumada. Claro que dá saudade de casa, dos pais, dos irmãos, claro que a água ter um pouco mais de sal e a comida ser um pouco cara me faz ter saudade de poder fazer compras no mercado com o cartão do meu pai e não ter que me preocupar com um monte de coisas.

A rixa entre brasileiros e argentinos pode ser muito verdadeira para alguns, pode ser uma farsa para outros, e pode até ser uma brincadeira para mais alguns, mas aqui nunca fui recebida com nada menos do que uma mão estendida e um sorriso no rosto.

Obviamente nada daqui poderia substituir aqueles amigos que eu deixei no Brasil, mas a experiência é válida, e me enche os olhos. Cuidar-se a si mesmo (o que é uma redundância aceita na língua castellana), é de fato uma experiência encantadora. Não sei o que será daqui pra frente, mas já sou diferente.

Pode ser que alguns que leiam isso não concordem comigo, pode ser que amanhã eu não concorde comigo mesma, mas de uma coisa eu tenho certeza, eu estou pronta para a aventura.