Muito tempo
Me sinto assim
Tanto tempo que já nem sei mais
O tempo corre
E eu parada no mesmo lugar
Estática, muda, paralítica
Tem como voltar o tempo?
Voltar atrás?
Não, diz o velho pra menina, voltar é regredir e o tempo urge
"Sempre em frente, não temos tempo a perder"
E o outro diria "continue a nadar, continue a nadar"
Eu nado. Eu nada.
Nada mesmo, nem um traço.
Quem sou eu?
Não sei. Só o tempo dirá.
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quarta-feira, 13 de maio de 2015
Muito Tempo
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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
A vida na pia
Cai do corpo
Rola a pia
Bebo e sorvo
Chora a filha
Ando Errado
Quem diria?
Vidro quebrado
Mais um dia
Sangro e piso
Sangra e ria
E o pulso rasgado
E mais um dia
"Dá um cortado!"
E já vazia?
E vai pro trabalho
Segura a guia
Passa a estrada
E a rodovia
Se tivesse férias
Viajaria
Trabalha na noite
trabalha de dia
Esquece a escola
Quem não faria?
As letras dançavam
Como poderia?
Talvez se quisesse
Também dançaria
Lembrando o homem
Que a amaria
Largou-a sozinha
Cuidando da cria
Depois ela viu
Que nada comia
E chorou sozinha
E caminhou na via
A noite escura
Que a bolsa enchia
E choro e dor
Jã não mais sentia
Olhar perdido
Tem sangue na pia
A água corre
Barriga vazia
E emocionada
A vida na via
Mas não passou nada
É o mesmo dia
O sangue no piso
O choro da filha,
A vida se vai
E nunca passou o dia.
Rola a pia
Bebo e sorvo
Chora a filha
Ando Errado
Quem diria?
Vidro quebrado
Mais um dia
Sangro e piso
Sangra e ria
E o pulso rasgado
E mais um dia
"Dá um cortado!"
E já vazia?
E vai pro trabalho
Segura a guia
Passa a estrada
E a rodovia
Se tivesse férias
Viajaria
Trabalha na noite
trabalha de dia
Esquece a escola
Quem não faria?
As letras dançavam
Como poderia?
Talvez se quisesse
Também dançaria
Lembrando o homem
Que a amaria
Largou-a sozinha
Cuidando da cria
Depois ela viu
Que nada comia
E chorou sozinha
E caminhou na via
A noite escura
Que a bolsa enchia
E choro e dor
Jã não mais sentia
Olhar perdido
Tem sangue na pia
A água corre
Barriga vazia
E emocionada
A vida na via
Mas não passou nada
É o mesmo dia
O sangue no piso
O choro da filha,
A vida se vai
E nunca passou o dia.
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
Não dar-te-ei
Não te darei ouvidos, nem orelhas.
Não te darei mãos nem pés.
Não te darei bola ou jogo.
Não te darei tempo nem espaço.
Não te darei meu coração ou meu bem estar.
Não te darei nem ódio, nem rancor.
Não te darei nem bom dia, nem boa sorte.
Não te darei cartas ou bilhetes.
Não te darei um olhar ou um aceno de mão.
Não te darei nada,
não te darei porque você não merece.
Não te darei porque você não existe.
Não te darei mãos nem pés.
Não te darei bola ou jogo.
Não te darei tempo nem espaço.
Não te darei meu coração ou meu bem estar.
Não te darei nem ódio, nem rancor.
Não te darei nem bom dia, nem boa sorte.
Não te darei cartas ou bilhetes.
Não te darei um olhar ou um aceno de mão.
Não te darei nada,
não te darei porque você não merece.
Não te darei porque você não existe.
terça-feira, 19 de novembro de 2013
Desembaralho
Ela me avisa que vai falar sobre a visão
Sobre a análise da juventude e o amadurecimento
Foi ela ainda não
É isso Thaís, sem problemas, mas
Como se você fosse estar tão feliz
Pelo menos suspeitar! Por que? Você é, é.
Pelo menos suspeitar! Por que? Você é, é.
Descobri meu cartaz e minha realidade
É o Portão de Ícaro
Quando você diz por mim
Que é o nosso destino no decote dela
Eu não vi essa, não parei para pensar nisso.
Eu não vi essa, não parei para pensar nisso.
Eu não fiz, e acho que não
Tava falando com as tão tortuosas linhas da vida
Vou tentar essa
Pra quem não acredita
Não deixe seus sextos sentidos
Não deixe seus ouvidos sangrarem...
Isso é que é.
Se eu gostei?
Não consigo gostar,
Um frio bizarro.
*Feito com o What would I say?
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sábado, 3 de agosto de 2013
Meu caminho de pedras
Quanto mais pedras deixo no meio do caminho,
Mais pedras teimam em ficar na bagagem.
Será que um dia poderemos caminhar sem pedras?
Sinto o peso do mundo nessas pedras.
Cada uma tão significativa e ao mesmo tempo tão inúteis.
Não creio que construo uma escada
Mas sim uma imensa ponte, que me leva apenas de aqui para lá
Saindo de nenhum lugar e chegando a lugar nenhum.
Essas pedras não deveriam fazer parte de mim
Mas as carrego mesmo assim.
Talvez a caminhada seja mesmo mais lenta para alguns.
Ou quem sabe não está simplesmente na hora de parar de enganar-me e jogar as pedras fora?
Talvez esse seja o segredo do caminho.
Mais pedras teimam em ficar na bagagem.
Será que um dia poderemos caminhar sem pedras?
Sinto o peso do mundo nessas pedras.
Cada uma tão significativa e ao mesmo tempo tão inúteis.
Não creio que construo uma escada
Mas sim uma imensa ponte, que me leva apenas de aqui para lá
Saindo de nenhum lugar e chegando a lugar nenhum.
Essas pedras não deveriam fazer parte de mim
Mas as carrego mesmo assim.
Talvez a caminhada seja mesmo mais lenta para alguns.
Ou quem sabe não está simplesmente na hora de parar de enganar-me e jogar as pedras fora?
Talvez esse seja o segredo do caminho.
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
Faz frio
Viro os olhos enquanto durmo.
Não estou em casa.
Alguma vez estive?
Não sei o que é casa.
A casa está dentro de nós mesmo ou do outro?
Queria viver nos corações alheios.
Nas casas alheias.
Queria novamente a sensação do conforto.
Não a tenho.
Procuro em vão, e bato em outras portas.
Só uma me interessa.
Essa que está sempre fechada.
Tento uma, duas, três vezes.
As paredes se fecham contra mim,
Me sufocam.
É impossível viver em mim.
Alguém está por aí?
Quero um coração, quero um lar.
Quero uma mão e um abraço que me procurem durante a noite.
Enquanto isso estou aqui,
vivendo do lado de fora do meu próprio lar.
Meu próprio coração,
e como é frio...
Não estou em casa.
Alguma vez estive?
Não sei o que é casa.
A casa está dentro de nós mesmo ou do outro?
Queria viver nos corações alheios.
Nas casas alheias.
Queria novamente a sensação do conforto.
Não a tenho.
Procuro em vão, e bato em outras portas.
Só uma me interessa.
Essa que está sempre fechada.
Tento uma, duas, três vezes.
As paredes se fecham contra mim,
Me sufocam.
É impossível viver em mim.
Alguém está por aí?
Quero um coração, quero um lar.
Quero uma mão e um abraço que me procurem durante a noite.
Enquanto isso estou aqui,
vivendo do lado de fora do meu próprio lar.
Meu próprio coração,
e como é frio...
terça-feira, 30 de julho de 2013
A arte de caminhar
Caminha,
que caminhando tudo muda.
Tentei caminhar por terras que não me pertenciam,
Tudo mudou.
Tudo se muda muito mais do que se espera.
E na verdade nada muda.
É tudo o mesmo, como sempre foi.
O medo é o mesmo, o caminhar é lento.
O pisar é cuidadoso.
Creio que ainda não aprendi a pisar,
Sempre algo dá errado.
O caminhar é tortuoso e as vezes me sinto voltando ao mesmo lugar.
Tudo tem as mesmas cores,
o mesmo gosto amargo na boca.
E ao mesmo tempo tão distinto que não saberia explicar.
O caminhar me esgota, me engole, me afoga.
Mas não é esta a graça de caminhar?
Dar-se contra paredes invisíveis,
estar frente a frente com aquilo que não se pode ver.
Caminhar é cair, e cair, e cair,
E as vezes levantar,
e perceber que de verdade nunca começamos a caminhar.
que caminhando tudo muda.
Tentei caminhar por terras que não me pertenciam,
Tudo mudou.
Tudo se muda muito mais do que se espera.
E na verdade nada muda.
É tudo o mesmo, como sempre foi.
O medo é o mesmo, o caminhar é lento.
O pisar é cuidadoso.
Creio que ainda não aprendi a pisar,
Sempre algo dá errado.
O caminhar é tortuoso e as vezes me sinto voltando ao mesmo lugar.
Tudo tem as mesmas cores,
o mesmo gosto amargo na boca.
E ao mesmo tempo tão distinto que não saberia explicar.
O caminhar me esgota, me engole, me afoga.
Mas não é esta a graça de caminhar?
Dar-se contra paredes invisíveis,
estar frente a frente com aquilo que não se pode ver.
Caminhar é cair, e cair, e cair,
E as vezes levantar,
e perceber que de verdade nunca começamos a caminhar.
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domingo, 28 de julho de 2013
Fugiste de mim
Fugistes de mim
Saístes a tragar outra verdade
Pode ser que tenha sido a sua verdade, mas não era a minha.
A minha verdade era você, e fugistes.
Tenho medo, assim como todos têm medo.
Mas não o tenho por aquilo que dirás,
Mas sim por tudo aquilo que silencias,
Silencias os meus gritos, o nó na minha garganta,
Silencias a impossibilidade.
Silencias os erros e as perfeições,
Silencias o estar, o ser, o saber.
E foges silencioso.
Não sei porque foges, mas foges.
E a cada tragada da sua verdade,
Deixa um pouco mais das outras verdades para trás.
E foges aí em sua verdade,
Me deixando sozinha, como na verdade, eu sempre fui.
(versão original em espanhol)
Saístes a tragar outra verdade
Pode ser que tenha sido a sua verdade, mas não era a minha.
A minha verdade era você, e fugistes.
Tenho medo, assim como todos têm medo.
Mas não o tenho por aquilo que dirás,
Mas sim por tudo aquilo que silencias,
Silencias os meus gritos, o nó na minha garganta,
Silencias a impossibilidade.
Silencias os erros e as perfeições,
Silencias o estar, o ser, o saber.
E foges silencioso.
Não sei porque foges, mas foges.
E a cada tragada da sua verdade,
Deixa um pouco mais das outras verdades para trás.
E foges aí em sua verdade,
Me deixando sozinha, como na verdade, eu sempre fui.
(versão original em espanhol)
segunda-feira, 6 de maio de 2013
Post Passus
Meu passado me corrói por dentro
E mesmo que eu não queira ele volta, silencioso, programado.
É como esperar que se tenha dias felizes, mas não tê-los.
Tocar a grama molhada com os pés descalços e ser picado por uma formiga.
O passado é assim, pelo menos o meu.
Me dá tempo suficiente para me sentir livre,
E fecha as portas para que eu veja a liberdade através das grades.
Ou será que sou eu mesma quem põe as grades?
De onde veem essas grades?
Sem que eu perceba elas já estão aí.
Outro dia sonhei com liberdade.
Tinha um gosto tão de vento, tão de voar.
No sonho encontrava um pêssego,
e tinha todo o gosto da vida.
Um cavalo branco que cavalgava tranquilo.
Era disso que o sonho tinha gosto.
E na mesma manhã acordei.
Com gosto de liberdade e visão de passado.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Fome de Madrugada
Sinto fome de madrugada,
de estar aqui e sentir a noite em sua plenitude,
de olhar pro céu e ver estrelas tão grandes que me encham o espírito.
Sinto fome de madrugada,
e é uma fome tão grande que a lua cheia não seria capaz de me saciar.
Sinto fome de um colo
que me deite a cabeça e me abrace forte
para que todos os medos pareçam infantis e bobos
sinto fome de madrugada
e de todas as surpresas que a noite traz
Sinto fome de madrugada
e apenas a noite é capaz de me saciar.
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Solidão
Eu sufoco.
Respiro novamente o ar tóxico.
Eu sei que é tóxico, mas mesmo assim respiro.
É como se eu soubesse que há morte na esquina, mas ainda assim resolvesse que é uma boa ideia contorná-la.
Há vício na esquina.
Vou sufocando as palavras que sei que nunca poderei falar.
O incompreensível abraça a negação
E a falta, o vazio, o tóxico vêm.
Não sei como não me intoxicar.
O ar é doce, novo, ingênuo,
mas eu sei que o ar não me pertence,
por isso volto ao vício, ao ar viciado.
E sufoco.
O ar me escapa como já havia escapado antes outras vezes.
Mas já havia desacostumado com a falta.
Essa falta que corrói.
Será que escolhi sufocar dentro de mim mesma?
Será que sou louca por escolher sufocar?
Quem está aí? Há alguém aí?
Estou só.
E isso me sufoca.
Respiro novamente o ar tóxico.
Eu sei que é tóxico, mas mesmo assim respiro.
É como se eu soubesse que há morte na esquina, mas ainda assim resolvesse que é uma boa ideia contorná-la.
Há vício na esquina.
Vou sufocando as palavras que sei que nunca poderei falar.
O incompreensível abraça a negação
E a falta, o vazio, o tóxico vêm.
Não sei como não me intoxicar.
O ar é doce, novo, ingênuo,
mas eu sei que o ar não me pertence,
por isso volto ao vício, ao ar viciado.
E sufoco.
O ar me escapa como já havia escapado antes outras vezes.
Mas já havia desacostumado com a falta.
Essa falta que corrói.
Será que escolhi sufocar dentro de mim mesma?
Será que sou louca por escolher sufocar?
Quem está aí? Há alguém aí?
Estou só.
E isso me sufoca.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Inexistente
Como sabemos quando estamos sós?
tento alcansar palavras
claro que fogem de mim.
Estar rodeada e só ao mesmo tempo.
Olhar no vazio dos olhos inexistentes das pessoas.
Inexiste a presença fixa em mim.
Desejo sair de meu corpo e morar no corpo de outro.
Desejo morar no coração de outro.
Todos moram em mim.
Será que é tão difícil?
Descobrir que estar só não é o suficiente?
Descobri hoje que estou só.
E só permaneci, fazendo com que a noite se fechasse num preto sem fim e sem volta.
E toda essa cor se deitou em mim,
Me deixando apática aprática quando a manhã veio.
tento alcansar palavras
claro que fogem de mim.
Estar rodeada e só ao mesmo tempo.
Olhar no vazio dos olhos inexistentes das pessoas.
Inexiste a presença fixa em mim.
Desejo sair de meu corpo e morar no corpo de outro.
Desejo morar no coração de outro.
Todos moram em mim.
Será que é tão difícil?
Descobrir que estar só não é o suficiente?
Descobri hoje que estou só.
E só permaneci, fazendo com que a noite se fechasse num preto sem fim e sem volta.
E toda essa cor se deitou em mim,
Me deixando apática aprática quando a manhã veio.
sábado, 4 de agosto de 2012
Conserto das horas
Presa em reverso
Parece que tudo está estagnado, parado.
As horas não passam, o tempo não passa,
O relógio gira seus carrascos ponteiros para o lado
contrário
Sou novamente aquilo que havia deixado de ser
E novamente minha mente perturbada pelos mesmos medos do
passado
Presa em reverso, presa em verso, presa em prosa,
Presa em palavras asfixiantes que se prendem em mim
Tudo se prende e assim eu mesma me prendo
Tudo retorna, aos poucos, como se não quisesse assustar.
Tarde demais, o susto foi inevitável.
O relógio gira seus carrascos ponteiros para o lado
contrário,
Eu giro para o lado contrário,
E regrido.
Tornando-me novamente a criança indefesa que outrora fui.
Preciso de um coração que bata em meu ouvido,
Que me dê seu colo aconchego que desejo,
Que me envolva não só braços, mas pernas e desejo.
Que me engula e me absorva e depois me regurgite,
Quando o tempo finalmente voltará a rodar.
sexta-feira, 23 de março de 2012
Árvores
Se sou semente, cresço, subo, ganho o céu.
E ao mesmo tempo estou no céu e no chão.
E como aguentar?
Também não estar nem céu nem chão,
mesmo que queira.
O chão me prende demais.
O céu me voa demais,
Mas não tenho nem um nem o outro por completo.
Metades de mim que se prendem a lados opostos,
Idéias opostas.
Ser chão e céu, ser árvore.
Ser angustiante na metade do caminho.
Meio.
Duas divisões de mim.
Sou pela metade.
E ao mesmo tempo estou no céu e no chão.
E como aguentar?
Também não estar nem céu nem chão,
mesmo que queira.
O chão me prende demais.
O céu me voa demais,
Mas não tenho nem um nem o outro por completo.
Metades de mim que se prendem a lados opostos,
Idéias opostas.
Ser chão e céu, ser árvore.
Ser angustiante na metade do caminho.
Meio.
Duas divisões de mim.
Sou pela metade.
sábado, 3 de dezembro de 2011
Bohemian Rhapsody

Se eu pudesse desestruturar o mundo e ter você pra mim...
Mas você é inalcansável.
Doce e eterno inalcansável você.
E as dores continuam...
Indubitáveis, intermináveis, estáveis.
Ter você, seria como mergulhar no mar, e por um segundo
[ouvir o próprio coração bater forte, duradouro.
A sua presença ausente não preenche o buraco fundo que você,
[desavisado, esqueceu de tampar no meu coração.
Mas eu não posso nada disso.
Eu não existo em nada disso,
e para ser bem sincera comigo mesma,
nem mesmo você existe nisso.
Você foi e será apenas um sonho da vida,
que ela mesma tratará de apagar...
Apenas quando for necessário.
"Carry on, carry on, like nothing really matters"
Créditos: Foto tirada por Isadora Relvas - http://vestindoodelirio.blogspot.com/
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Abraços Partidos
Deixa-se os braços abertos e espera-se que seja suficiente
Mas nunca é. Nunca será suficiente.
Fecho meus olhos e espero que meu corpo o sinta.
Minha pele nua espera...
Não se sabe o que. É a espera incessante.
Angústia, angustiante.
O desejo e o prazer se encontram, mas não faz parte de mim.
Me debruço e me debato em angústia.
Meu corpo mutilado se reflete no espelho escuro.
As sombras engolem meu ser, bebem meu corpo no gargalo seco.
Não tenho mais para dar, já acabei-me em mim.
Doar-se é como permanecer com os braços abertos
É aquela espera incessante.
É padecer em corpo sem alma nem coração,
Para se viver em corpos alheios.
São mortes e vidas dentro de uma mesma vida.
Morrer em mim aquilo que desgosto.
Para recriar-me cada vez mais paixão e espera.
Incessantemente...
Mas nunca é. Nunca será suficiente.
Fecho meus olhos e espero que meu corpo o sinta.
Minha pele nua espera...
Não se sabe o que. É a espera incessante.
Angústia, angustiante.
O desejo e o prazer se encontram, mas não faz parte de mim.
Me debruço e me debato em angústia.
Meu corpo mutilado se reflete no espelho escuro.
As sombras engolem meu ser, bebem meu corpo no gargalo seco.
Não tenho mais para dar, já acabei-me em mim.
Doar-se é como permanecer com os braços abertos
É aquela espera incessante.
É padecer em corpo sem alma nem coração,
Para se viver em corpos alheios.
São mortes e vidas dentro de uma mesma vida.
Morrer em mim aquilo que desgosto.
Para recriar-me cada vez mais paixão e espera.
Incessantemente...
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Pedaços, retalhos, recortes e afins
E se eu não quisesse me apaixonar?
E se eu não quisesse me partir em dois cada vez que te vejo?
E se me partir em dois fizesse parte da minha natureza?
Me quebrar e me partir e me dividir em dois...
cada vez que abro os olhos pela manhã.
Deixar um pedaço de mim cada vez que me movesse
uma impressão da minha vida, uma impressão minha em cada ambiente.
E se o seu trabalho fosse juntar os pedaços,
atar os cacos, colar-me em ti...
Colar-me em mim, e descobrir-me aos poucos.
Para enfim descobrir-me inteira algum dia.
Não é disso que a vida é feita?
De deixar-se a cada momento para trás
e descobrir pedaços de outros...
Até que enfim os pedaços se juntem em um único indivíduo
Junto de vários outros,
onde dois pedaços metamórficos e retalhados se juntem
Em apenas um pedaço. Pedaço inteiro. Dois que são um.
Juntos.
A história da vida.
E se eu não quisesse me partir em dois cada vez que te vejo?
E se me partir em dois fizesse parte da minha natureza?
Me quebrar e me partir e me dividir em dois...
cada vez que abro os olhos pela manhã.
Deixar um pedaço de mim cada vez que me movesse
uma impressão da minha vida, uma impressão minha em cada ambiente.
E se o seu trabalho fosse juntar os pedaços,
atar os cacos, colar-me em ti...
Colar-me em mim, e descobrir-me aos poucos.
Para enfim descobrir-me inteira algum dia.
Não é disso que a vida é feita?
De deixar-se a cada momento para trás
e descobrir pedaços de outros...
Até que enfim os pedaços se juntem em um único indivíduo
Junto de vários outros,
onde dois pedaços metamórficos e retalhados se juntem
Em apenas um pedaço. Pedaço inteiro. Dois que são um.
Juntos.
A história da vida.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Prateleiras II
Vejo tudo como um filme mal-feito e velho
Daqueles em que se sente frio na sala porque se
[percebe que a sala está vazia.
Os tons de sépia passam desavisados por meus olhos.
As vezes vejo você, mas rapidamente passa.
Você não me viu, estava com outra pessoa.
Eu não tenho você.
Me refugio nas tramas de minha prateleira.
Amo, odeio, adoro, rio, choro.
Você não está em nenhum desses sentimentos.
Você não quer estar...
Daqueles em que se sente frio na sala porque se
[percebe que a sala está vazia.
Os tons de sépia passam desavisados por meus olhos.
As vezes vejo você, mas rapidamente passa.
Você não me viu, estava com outra pessoa.
Eu não tenho você.
Me refugio nas tramas de minha prateleira.
Amo, odeio, adoro, rio, choro.
Você não está em nenhum desses sentimentos.
Você não quer estar...
Prateleiras
Lembrei de você num filme na minha prateleira.
Revirei as revistas atrás de imagens que me trouxessem a sua memória.
Não pude te encontrar...
Você não estava lá, nunca esteve.
Você nunca foi parte de mim.
O desespero bateu irreconhecível e sufocante.
Incessantemente voltei a te procurar dentro de mim.
Cadê você?
Cadê você que não está aqui?
Procuro em vão aquela saudade que eu sentia ontem.
Era você. Apenas uma saudade.
Saudade daquelas que eu sonhei mas nunca tive.
Você se foi pela manhã, me deixando com vontade de voltar a dormir,
Para sempre.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Pais
Escrevi esse pros meus pais. Li para eles no dia do aniversário de 25 anos de casados.
Vocês são meu chão, minhas asas, meu porto seguro,
meu ponto de partida e também meu ponto de chegada.
É por vocês que eu estou aqui, e é por vocês que eu vou continuar.
As brigas, as discussões, fazem parte.
Sem vocês eu não seria possivel, nada seria possivel.
Vocês me deram a vida e as escolhas, me abriram a porta.
Me mostraram que o caminho muitas vezes era difícil, mas que vocês estariam ali do
[meu lado quando eu caisse.
Vocês são o que há de bom e mau em mim.
Vocês são minha filosofia, meu alento, meu ombro, meu colo.
Vocês são os meus passos e o caminho atrás de mim.
Vocês são o que há de mais puro em mim.
Vocês são meus olhos, minha voz e as palavras que saem da minha boca.
Vocês são as pessoas mais importantes.
Vocês são o começo e o fim.
Vocês são meus pais, e obrigada por tudo.
Vocês são meu chão, minhas asas, meu porto seguro,
meu ponto de partida e também meu ponto de chegada.
É por vocês que eu estou aqui, e é por vocês que eu vou continuar.
As brigas, as discussões, fazem parte.
Sem vocês eu não seria possivel, nada seria possivel.
Vocês me deram a vida e as escolhas, me abriram a porta.
Me mostraram que o caminho muitas vezes era difícil, mas que vocês estariam ali do
[meu lado quando eu caisse.
Vocês são o que há de bom e mau em mim.
Vocês são minha filosofia, meu alento, meu ombro, meu colo.
Vocês são os meus passos e o caminho atrás de mim.
Vocês são o que há de mais puro em mim.
Vocês são meus olhos, minha voz e as palavras que saem da minha boca.
Vocês são as pessoas mais importantes.
Vocês são o começo e o fim.
Vocês são meus pais, e obrigada por tudo.
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