"Se não é pela arte, pra que a alma pesando o corpo?" - Caio Soh
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sábado, 4 de agosto de 2012

Conserto das horas


Presa em reverso
Parece que tudo está estagnado, parado.
As horas não passam, o tempo não passa,
O relógio gira seus carrascos ponteiros para o lado contrário
Sou novamente aquilo que havia deixado de ser
E novamente minha mente perturbada pelos mesmos medos do passado
Presa em reverso, presa em verso, presa em prosa,
Presa em palavras asfixiantes que se prendem em mim
Tudo se prende e assim eu mesma me prendo
Tudo retorna, aos poucos, como se não quisesse assustar.
Tarde demais, o susto foi inevitável.
O relógio gira seus carrascos ponteiros para o lado contrário,
Eu giro para o lado contrário,
E regrido.
Tornando-me novamente a criança indefesa que outrora fui.
Preciso de um coração que bata em meu ouvido,
Que me dê seu colo aconchego que desejo,
Que me envolva não só braços, mas pernas e desejo.
Que me engula e me absorva e depois me regurgite,
Quando o tempo finalmente voltará a rodar.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Poesia sem nome nº 04


Como escalar esse muro?
Como transpor o intransponível muro que nos separa?
Realidades tão diferentes...
Mundos tão opostos...
Almas tão iguais.
Somos como fragmentos de um mesmo todo.
Somos parte e todo ao mesmo tempo.
Como impedir que a realidade continue construindo tijolos?
Como impedir que a vida construa seus próprios muros em cima de nossos sonhos?
Preciso escalar.
Mas algo me detém.
Parada, estática, imóvel.
O chão segura meus pés.
O vento segura meus cabelos.
E essa chuva que não quer cessar.
Olho para o céu.
Não é chuva, são meus olhos que insistem em derreter.
Minha alma se esvazia.
E ninguém assiste ao espetáculo da vida que acontece alheio.
E o muro cresce.
Aonde está você? Pode me ouvir aí do outro lado?
Me apaixonei por você.
Olho pra você.
Estático, parado, imóvel.
O vento mais forte leva também minhas palavras.
Imóveis, estáticas, paradas.
Toma posse de minhas idéias.
Ouço um canto surgir em meu peito.
O muro então se desfaz dentro de mim.
E a chuva cai molhando toda a minha existência.